CORRENTEZAS

Os dedos pardos alternavam pequenas batidas no parapeito da palafita. Era fim de tarde e Marília corria os olhos de pálpebra caída nas águas barrentas do rio Guamá, ninguém saberia que ali ela afogava as miudezas da vida.
Era mês de junho, sol quente com vento leve. Marília era ninguém, tão insignificante quanto qualquer pessoa do mundo.
E antes do sol mergulhar na linha do horizonte, sem qualquer ensaio ou premeditação, Marília cruzou as profundezas de deixar de existir.
-Nunca sabemos quando será a última vez.


Tamyres Rocha, Paraense – Turismóloga – Mestranda em patrimônio cultural. Tem um atalho-emboscada para acreditar nos motivos, mas tanto faz.