
A barraca
Os olhos acordaram com um
único movimento.
Levantei, tomei banho, vesti-me
e corri para a mesa do café.
Antes de sair, vi o meu menino,
extasiado, de tanta felicidade,
olhando para dentro da sua
barraca armada no meio da
sala pequena. Olhei aquela cena
e não deu tempo de sorrir.
O trabalho chamou.
Os olhos acordaram com um
único movimento.
Levantei, tomei banho, vesti-me
e corri para a mesa do café.
Antes de sair, vi o meu menino,
extasiado, de tanta felicidade,
olhando para dentro da sua
barraca armada no meio da
sala pequena. E mais uma vez,
não deu tempo de sorrir.
O celular chamou.
Os olhos acordaram com um
único movimento.
Levantei, tomei banho, vesti-me
e corri para a mesa do café.
Antes de sair, vi o meu menino,
extasiado, de tanta felicidade,
olhando para dentro da sua
barraca armada no meio da
sala pequena. Agora, segurei um
pouco o tempo nas mãos,
abaixei-me ao lado dele e olhei
também para dentro daquela
barraca armada.
Mas, eu não vi nada.
Ele pegou a minha pasta, colocou-a
em um lugar qualquer e apontou
para o interior daquele objeto
triangular, armado na sala pequena.
Respirei fundo. Libertei o tempo e
olhei com atenção: vi um castelo
lindo e suntuoso.
E quantos dinossauros, dragões;
mundos! E quando retornei dessa
viagem, o meu menino sorria
satisfeito.
Não estou mais cego.
E o cego ainda continua
sendo aquele que negligencia
a visão de simples e grandiosos
momentos apresentados
na frente da sua própria barraca
armada no meio da sala pequena.
O Fim do Mundo
Quando criança, escutei
Muitas probabilidades
sobre o término do fim
dos tempos.
Fogo;
Água;
Trevas.
O ano de 2000 chegou e
ouvi dizer que com ele o
fim do mundo também.
No entanto, o que vi
foram muitos tendo
um fim nesse mesmo
mundo.
Pelos Maias, nós não
terminaríamos 2012.
Cá, o mundo está.
O fim do mundo está,
verdadeiramente, em nós
mesmos. No nosso egoísmo,
na nossa arrogância, na nossa
tentativa de ser superiores.
Na verdade,
O mundo acaba quando
uma criança descobre
que o bicho papão é o
seu próprio pai; tio; um
amigo.
O mundo acaba quando
uma mulher só tem o
direito de ir, porque o de vir,
ela já não pode mais.
Está morta!
Afinal, quem se acaba?
O mundo ou nós que
trazemos, de fato,
o fim dele?
Forç(A)
Forçado espancada pelo
“amor da minha vida”
e tive que ser forte.
Fui estuprada e humilhada
e tive que ser forte
para o depois.
Traída, diminuída e
trocada e… tive que ser
forte para juntar
o coração do chão.
Fui quase penetrada
no coletivo por um
pênis que não convidei
a entrar. E tive que ser forte.
Fomos fracas por suportar
anos, décadas, seculos
tanta escuridão. Mas somos
fortes para mudar tudo isso
também. Forç(A)!
Edson Campos: Louco e desesperado. A loucura por deixar, simplesmente, com que a minha imaginação se torne tão forte, a ponto de tudo transformar-se em poesia e narrações. E o desespero vem do tormento dos meus irreconhecíveis personagens que perturbam, de modo enlouquecedor, os meus ouvidos para que as suas historias pessoais possam ser contadas o mais breve possível.