ASSIM FOI FEITO

Por conta e por causa daquilo que vivi. Seria estranho o mundo não render-se as tuas paixões crônicas por existir… em um dialeto da galáxia fantástica de que viestes, toda a psicologia estuda o gene incompatível das tuas crenças que exatamente fazem dos dias lugares melhores no final das contas.

A casa número 10, habitada por novos personagens, guarda nas telhas a testemunha de uma promessa de eternidade piamente jurada aos pés da juventude ainda não suja pelas frustrações… Eles não moram mais aqui.
No lençol esgarçado – já nem existe mais – milhões de ti procurando abrigo e morrendo na saída apressada quase fugitiva de uma história vaidosa que distraída arruinou alguma coisa interna, e por muito tempo esperou conserto. A sobrevivência tratou de partir e reconstruir outros corações e outras importâncias foram misturadas para nos certificar que tudo em algum momento é efêmero. De longe uma saudade defeituosa serve de remédio para aqueles dias cinzentos. Era sempre que não existiam desculpas e a janela do teu quarto mesmo não dando para lugar nenhum traziam as duas únicas filhas que ficaram órfãs em algum subúrbio florido inexistente, com os teus dentes, com a minha tristeza, com a nossa bagunça e uma amizade herdada de algum antepassado brilhante.
Foi assim, que sem ter com quem contar e para onde ir que estas verdades até hoje presentes foram criadas. Um dos milhares de amores malquistos desta espécie que tão pouco tem para ser grandiosa. Era quase uma escravidão consentida como tantos prazeres neste mundo, nosso tratamentobritânico-punk-romântico-trágico no cenário miserável de ter certeza do fim, os planos meticulosamente traçados e eu fui obrigada a mudar de ideia… Ninguém entendeu nada, assim como não entendemos a consistência das nuvens – de longe paraísos flutuantes, carruagens de
nossas poesias, de perto nada senão uma ilusão – e até hoje o júri popular clama por condenar a mulher covarde.
Sempre tem algo mais nas histórias e pelo menos tua sensibilidade foi capaz de entender, isso basta.
Todos perdidos e a alternativa era estar juntos, mas nesta proximidade algo aconteceu quando estávamos engajados em procurar a saída, na ida para o espaço não havia lugar para um e este abandonado ficou a esperar neste frio solitário indelicado, esfolando os joelhos de tanto rastejar não querendo desacreditar, estourando os olhos de tanto chorar – jamais admitindo o medo – e um alto falante sobrenatural repetindo incansavelmente nossas músicas mais incríveis… Por que? Porque alguém sempre tem que ficar.


Tamyres Rocha, Paraense – Turismóloga – Mestranda em patrimônio cultural. Tem um atalho-emboscada para acreditar nos motivos, mas tanto faz.