PARALELOS

Atravessou vielas, enfrentou paredes solares, o sol, apenas um e muitos. Na condução, sentou ao lado de um senhor que gemia. Não desejava voltar para casa sem as certezas: emprego, nova moradia, não ter que ouvir a mãe que, sim, estaria tudo bem, não precisaria se preocupar com roupas, comidas, fones de ouvidos caros. Rejeitava tal demonstração de afeto, não que fosse ingrata. Apenas desejava não ser um escombro em ombros cansados, uma chuva naqueles que foram pequenas poças de amor.

O velho tomba e a chama de minha filha Teresa: Teresa, não sabe tu que te ver chorar me espreme? Me assola por dentro? O senhorzinho deixa cair seu relógio que no freio é arrastado para trás, levanta, se agacha, resmunga, todos resmungam, alcança e desce ao seu destino. Finalmente.

Já poderia ser visto dobrando a esquina e o sol acompanhando, o conduzindo por ruas estreitas e alamedas. Pára em uma sombra esférica e colhe frutas. Teresa sua filha, não quer sua volta, lamenta sua presença, o minúsculo colo da desconhecida e o sonho, rendeu um fôlego por um tempo indeterminado, era suficiente.


Por João da Rocha.