MENINO

Menino, moleque, matreiro
Tem samba no pé
E no chão de terreiro.
Menino, moleque, matreiro
Tocando atabaque
Aplaudindo a Oxum
Tem saia rodada
E muito dinheiro.
Menino, moleque, matreiro
Do lixo, fez luxo
O Joãozinho trinta
O carnavalesco.
Menino, moleque, matreiro
Francisco, todos os chico
Milagre do rio
E do santo guerreiro.
Menino, moleque, matreiro
Sem rumo e sem teto
Favela do charco e do lodo
Pixote guerreiro
Da sétima arte
Aos braços do mundo
Marília deu peito.
Menino, moleque, matreiro
Farol da quebrada
Arrimo no malabarismo
Recebe um trocado
É pimenta de cheiro
Temperando a vida
Mesmo no ermo.
Menino, moleque, matreiro.

Lucas Marcone Almeida é poeta e Professor de História Formado pela UNINOVE. Trabalha na rede municipal de Cajamar/SP e desenvolve rodas de leituras com alunos dos Projetos de cultura afro e indígena.

Fotografia: https://www.instagram.com/ondejacyviu/