
Mas, e aí sumano? Tú ainda acreditas nas antigas estórias que esse povo da Amazônia conta?
Tú achas, que em pleno 2020, alguém liga para isso? Matintas Perêra, Mapinguaris, Curupiras, Iaras, Botos e outros seres mitológicos ainda têm espaço em nossa vida moderna , como sendo capazes de nos influenciar de algum modo? O imaginário Amazônico resistiu a tanta tecnologia? Ou
sucumbiram frente ao chegar da rapaziada da Netflix, Youtube, Tv’s fechadas e abertas?
As séries intermináveis da Netflix não seriam mais interessantes? Os vídeos com danças, aventuras e todo tipo de “doidice” do Youtube não seriam mais divertidos? E, as novelas? Documentários ou programas de fofoca não distrairiam mais nossas inquietas mentes para um adormecimento em mais
profundo sono, do que esses personagens tão antigos?
Esses e outros questionamentos pairam sobre minha cabeça e aguçam meu raciocínio.

Olha, eu particularmente, não dou a mínima…Eu nem acredito, em nenhum desses seres, apenas se tiver sendo “mundiado” por uma ave agourenta, com seu estridente “fiufiuuuu…”, prometo logo o tabaco, mas só para me deixar sossegado… Tampouco acredito em seres justiceiros da floresta que
atacam e perseguem este ou aquele agressor das matas. Eu só evito transgredir os preceitos da floresta por uma questão de cautela mesmo…Bem, Iaras e botos, não vou nem comentar, apenas vou advertir que se estiveres em um “paraná” qualquer, e ouvires um canto inebriante, não te deixes “seduzir” pela curiosidade e segue o teu caminho, caso contrário, pode ser que não tenha forças para resistir ao encanto do canto…
Com relação ao boto virar homem sedutor, isso é desculpa de moça
solteira que se deixou seduzir por algum “forasteiro” em algum dançará que se estendeu mais do que deveria. Não vês que isto não têm cabimento. Eu de minha parte, só não permito que minhas filhas fiquem desacompanhadas em festa do interior, e as proíbo de falar com desconhecidos de branco, mas, só por cautela. Como te disse, eu não acredito em nada disso…
O imaginário Amazônico é riquíssimo e dele podemos extrair conhecimento do poder desta ou daquela raiz, desde ou daquele óleo, deste ou daquele “ungueto”.
Que o diga os efeitos milagrosos do óleo de copaíba e da nossa andiroba! “Galhadas” de antigas benzedeiras eu só faço mesmo por tradição, da mesma forma que nossos banhos de ervas em época das festividades juninas…
É claro, que sempre me sinto melhor depois dos banhos e das galhadas, mas acho que é só por causa do forte cheiro gostoso da ervas que me dão uma sensação de bem-estar ou mera coincidência…
Não, eu não creio que “as mandigas”, “banhos de ervas” ou rituais de repetição de certas orações que se evocam tupã, Iaci, Jaci, Anhangás ou deuses da floresta sejam capazes de proteger quem quer que seja…
Mas, é bom conhecê-los, vai que….
Olha, ouvi que Cobra grande no fundo do rio soube pelo Boto da chegada da rapaziada do Projeto Rondon, e, daí não parou mais…Foram tantas e tantas notícias e tecnologias chegando que ao poucos, nossos seres mitológicos foram se refugiando cada vez mais para dentro da mata…
Soube também, que vez por outra, uma Matinta Perêra resolve visitar a cidade, mas logo, logo é perseguida e assassinada por incautos.
Meus amigos, “eu não acredito em bruxas, mas, que elas existem, elas existem”, já diziam os antigos.
Sei que, se não soubermos de onde viemos, jamais poderemos definir para onde iremos!
Não podemos deixar que nossas tradições culturais desapareçam, como também não podemos deixar que tradições de outros povos tomem lugar de nossa rica herança folclórica.
Que Matintas Perêra, Mapinguaris, Iaras, Botos e Curupiras nos tragam a esperança de uma Amazônia rica e pujante tal qual o rio e a floresta que dão nome a região.
Vamos mergulhar e conhecer as lendas e mitos que outrora protegeram pajés, curandeiros e antigos feticeiros, na esperança de que eles nos tragam força e esperança para continuarmos acreditando na força e poderes desses ENCANTADOS DOS RIOS E DAS FLORESTAS.
Átila Monteiro
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