
Deixo os cabelos da minha alma Crescerem como cresce a periferia na cidade centenária, Não podendo mais vencer o desigual e o impossível. Lá, exatamente, num lugar que é nosso, enquanto a chuva anunciada na previsão do tempo não chega, estou andando na chuva dentro de mim e não me molho, mas queria me molhar. O quanto deveria me encharcar? Meu pai me disse um dia que em chuva muito, implacavelmente, forte não se gripa e nem a garganta inflama. Mas o corpo inteiro do mundo há de tremer nessas circunstâncias! A mente da terra é selvagem? Como a mente controla o calor? Como a mente engana o frio? Selvagem não é ser mau, muito menos ser violento.

E o amor, foi de onde nasceu o magnetismo? Há frio nos corações e lá fora. Há calor nas almas e dentro das casas. Quem expulsará a doença ruminante do espaço, cuja voz é a que paralisa os movimentos com uma canção que não tocará nunca mais? Só ele sabe, ou ela, eu não sei… E a última vez pode ser o princípio. E o nada pode ser a única coisa que um dia existiu. Eu vagando liberto fora de mim, mas não da poesia que dá o ar necessário para que o planeta sobreviva. Dobro a esquina, quando um imenso temporal dentro de uma canção acelera o relógio do universo. Escuta-se trovões, o som dos ponteiros desse deus, arrastando-se no infinito, revela-se no espírito dessa chuva que cai, feito uma carta que recebo vinda do oceano, meu irmão, e ele assina com seu primeiro nome de naufrágio. Qualquer coisa vazia afundaria no seu peito azul morte. E Quem flutuaria? O coração da sociedade é uma bola gigante de ferro. A eternidade é meu peixe abissal predileto. Igarapés escuros como um escafandro. Estou invisível aos olhos da sonda cotidiana, mergulhado fora do meu ser. Águas barrentas do meu ser. Os dias sem sonhos são incapazes de enxergar no escuro. E são mais capazes ainda de explodir o futuro.

Escuridão, essa cadastradora de abismos, medindo a dimensão dos momentos inomináveis, enquanto o céu desaba tão eternamente momentâneo. Quem cederá suas dores para o amor não escrito? Acalmo este poema em pânico ou é ele quem me acalma? Quando conheço as extremidades do sofrimento é quando conheço a exatidão das coisas em seu tempo. E minha poesia pôde romper essa espessura incalculável de tristesa para ser respirada pelos entristecidos, para fazer piada dos tornados deprimidos no psicológico do mundo que nos julga em voz alta. Ordens em massa onde a desordem dos desejos bagunçam a íntima verdade. Somente os elevados sentidos organizarão meu ser! E sussurro ao pé do ouvido do tempo que sua amizade acende minha alma e meus passos de volta pra casa são de uma imortal consciência.Meu tédio me mastiga e me cospe, mas só ao ponto que eu me tornar tão medíocre para caber dentro da sua boca fedida. Não quero mais citar nenhum monstro nesse poema que procura sua verdadeira felicidade.A culpa não é da solidão, a quem ouvimos os uivos na hora em que as almas repousam cansadas de sentirem-se demais acompanhadas.O mensageiro do caos me relatou sua estadia no inferno de desacreditar na maior verdade, a que somos eternos, somos gotas, e um dia voltaremos ao oceano de onde nascemos. Eu não desacreditei! Desacreditar em algo é envelhecer dentro de estar jovem.E o que podemos ser nessa hora? Nessa festa? Nesse luto? Nessa luta?Agora posso escutar e ver tudo e me transformar no pássaro que persiste na maior altura da longa distância! Estou flutuando em mim, voando em mim, liberto por uma transcendência igual a do abismo.
Antonio Marcelo, 38 anos, funcionário publico e Trader amador, nasceu em capanema, interior do estado do Pará, foi para Marituba, na região metropolitana de Belem, com 8 meses de idade. Filho de pais humildes e sem muita instrução, deve o seu gosto por livros a sua irmã mais velha, q desde muito cedo o incentivou e o fez gostar de ler e estudar. Sua infância e adolescencia foi vivida integralmente. Brincou descalço na rua, tomou banho de igarapé, tomou banho de chuva, subiu no jambeiro e comeu os mais suculentos e vermelhos frutos. O gosto pelas letras surgiu na metade de sua adolecência e todos os conflitos dessa fase foram transformados em poemas delirantes, que mais tarde entre muitos escritos foram reunidos em livros como RESIDUO DE RELÓGIO e depois surgiu CLEPSIDRA livro feito de um só fôlego. Sua paixão pelo universo o fez escrever FISSURADO PELO CÉU. Mais na frente, seus poemas saem da fase simbólica e incosciente para uma fase prosaica e emotivamente racional, de escritos longos e espirituais. Essa fase é marcada pelo livro SEGUNDO LIVRO DAS RUAS. Admirador demasiado dos prosadores, sempre sonhou em escrever contos, mas a liberdade poética o confundia a criação. Foi quando perdeu o medo e pulou no mar da prosa, criando seus primeiros contos. Desde entao sua vida se tornou mais ampla no sentido lúcido e eterno da efêmera palavra.
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