
Degrau
por
degrau
construindo o risco
riscando a espera
gerúndia
do poema por enquanto
arisco
no próximo
degrau
talvez um
sinal
talvez um
som
transborde do papel
arrisco na dobra da
esquina
no branco breu do muro
tateio com o topo
dos pés
a borda
da sombra
da ideia vazia.
(risco)
Navego sobre o precipício
repelido pelo tempo
ainda não engolido
o ainda me é concedido
pelo deus azul sem letras
infinito caminho caótico
da ida e da volta
da chuva
e do acaso
o vento cerca
envolve
revela
a dança surda
dos sinais não sentidos
e faz de mim poeira
poesia é a lenta ironia
das quantidades do que é sem mim
tanto mar, tanto mais?
quanto mar para ser tudo céu?
(concessão)
André Fellipe Fernandes (Belém, 1990): É pai, piloto de navio e tenta ser editor literário. No resto do tempo procura. https://instagram.com/andrefernandes.pa?igshid=101lsx5s2jeup
FOTOGRAFIA: https://www.instagram.com/anataamy/